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Biblioteca Escolar / Centro de Recursos da ESSMO

O importante não é onde chegas, mas o caminho que percorres.

Biblioteca Escolar / Centro de Recursos da ESSMO

O importante não é onde chegas, mas o caminho que percorres.

Citação do dia

29 de abril: um dia em cheio

E foi cheio, de facto.

Cheio de leitura, cheio de poesia.

20160429_180406-2.jpg

 Primeiro, durante a tarde, os nossos "eleitos" participaram na Final Distrital do Concurso Nacional de Leitura.

Só por terem participado já merecem o nosso aplauso.

Desta nossa participação, há que destacar o facto de o Lourenço Miguel, 9ºE, ter ficado em 1º lugar na categoria 3º Ciclo do Ensino Básico. O Lourenço irá, pois, representar a nossa escola, o nosso agrupamento, o nosso concelho e o nosso distrito na Final Nacional. Parabéns, Lourenço!

 

À noite, o esperado espetáculo de POESIA, no Cineteatro Paraíso, que correu muito bem.

A Poesia (In)Temporal trouxe-nos uma breve , mas representativa, história da poesia portuguesa, da Idade Média até ao presente.

Todos, participantes e colaboradores,  estão de parabéns.

A mim, em particular, sensibilizou-me o grito final, dado espontaneamente, quando todos os participantes estavam em palco: VIVA A POESIA, VIVA!

cartaz - (in)temporal.png

 

em jeito de homenagem...

Livro de Horas
 
 
Aqui diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,

e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.

Me confesso
o dono das minhas horas
O dos facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.

E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!

                                   Miguel Torga
 
Miguel Torga
Miguel Torga
Nasceu a 12 Agosto 1907
(S.Martinho de Anta-Sabrosa, Portugal)

Morreu em 17 Janeiro 1995
(Coimbra)

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, foi um dos mais influentes poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios.
 

 

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