Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015

Eugénio de Andrade: aniversário natalício.

Eugénio de Andrade  
[Póvoa da Atalaia, Fundão, 1923 - Porto, 2005]

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José Fontinhas de seu nome civil, nasceu em 19 de Janeiro na Beira Baixa. Em 1932 muda-se para Lisboa com a mãe «figura crucial na sua vida e na sua poética. Naquela cidade, onde passará toda a adolescência, descobre a sua vocação literária e convive com alguns escritores e poetas. Publica, em 1940, Narciso, o seu primeiro volume de poemas, a que se seguem Pureza (1942) e Adolescente(1945). Destes três livros, depois de expurgados pelo autor, foram publicadas diversas composições numa antologia intitulada Primeiros Poemas, cuja primeira edição data de 1977.

Entre 1943 e 1946 Eugénio de Andrade encontra-se em Coimbra, onde estabelece relações de amizade com alguns dos maiores vultos da literatura e do pensamento portugueses da época, como Miguel Torga, Carlos de Oliveira e Eduardo Lourenço. Em 1947 torna-se funcionário público, exercendo durante os trinta e cinco anos que se seguiram as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde. Por razões de serviço passa em 1950 a residir no Porto, cidade que adoptou desde então para viver e da qual é cidadão honorário.

Poeta consagrado, o autor não se limitou porém à poesia: escreveu diversos ensaios e prefácios, tendo também colaborado em numerosas publicações – Cadernos de Poesia (1ª série), Árvore,Cadernos de Literatura, Cadernos do Meio Dia, Cassiopeia, Colóquio e Colóquio-Letras, Estrada Larga (antologia do suplemento «Cultura e Arte» de O Comércio do Porto), Gazeta Musical e de Todas as Artes, Horizonte, Itinerário (de Lourenço Marques, hoje Maputo), Mundo Literário, Persona, Vértice eSeara Nova.

Escreveu dois livros dedicados à infância: A Égua Branca e Aquela Nuvem e Outras.

Traduziu Poemas de García Lorca (1946), antologia de versos do poeta espanhol, as Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado (1969), Poemas e Fragmentos de Safo (1974) e Trocar de Rosa (1980), selecção de poesia de diversos autores estrangeiros. Além disso, organizou, seleccionou e prefaciou diversas antologias temáticas de poesia portuguesa, algumas delas dedicadas a autores. [...]

Grande parte dos livros de Eugénio de Andrade estão traduzidos, ora em volumes autónomos, ora em antologias e revistas literárias estrangeiras.

[...]
Dos poetas portugueses do século vinte, Eugénio de Andrade foi, talvez, aquele que mais se aproximou das raízes da cultura portuguesa, servindo-se dela e servindo-a, como diz Óscar Lopes, através da «evidência de um paraíso puramente terrestre, emanação do desejo e perceptível à simples transparência dos ritmos frásicos orais, das conotações de um léxico severamente escolhido e sobre o qual opera um permanente movimento de metáfora para um mesmo conjunto de elementos míticos fundamentais: a terra densa com os seus frutos e corpos; a água fluvial ou marinha; o ar, ou tudo o que há de volátil; o lume, ou ardor, ou ainda a luz pura de um Abril adolescente, de um Verão a prumo, ou de um Outono dourado a rever-se, a desdobrar-se em perduração aprilina, juvenil.» E neste universo de um paganismo de raízes fundamentalmente autóctones, destaca-se o primordial dessas raízes – e continuamos a citar Óscar Lopes: ora «a lírica solar, meridional, mediterrânica da presença sensível», ora «aquilo que parece ter sido a mais importante relação humana do poeta, a relação com a mãe (...)». Cada um dos poemas de Eugénio encerra na sua unidade um depuradíssimo trabalho da língua, que o poeta sente como sendo o seu mais importante compromisso e maior dádiva original.

A casa do poeta, no Passeio Alegre (Foz do Douro – Porto), alberga desde 1995 a Fundação Eugénio de Andrade, instituída para divulgação e estudo da sua obra. Ali ocorrem regularmente encontros de poetas. A Fundação edita também os Cadernos de Serrúbia, revista de estudos sobre poesia.
 
Centro de Documentação de Autores Portugueses
01/2005
 
http://www.dglb.pt
 

 

 

publicado por essmo-becre às 01:03
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