Segunda-feira, 21 de Março de 2016

Dia Mundial da Poesia 2016

A homenagem de José Luís Peixoto a Régio no Dia Mundial da Poesia

ng6271325.jpg

José Luís Peixoto|JOÃO MANUEL RIBEIRO/GLOBAL IMAGENS

O escritor escreve no seu manifesto A palavra feita de palavras. Poesia em Régio, que será lido esta segunda-feira em Portalegre, que "a poesia é uma torre sobre a vida e sobre a morte"

O poeta José Régio (1901-1960) é homenageado hoje, Dia Mundial da Poesia, em Portalegre, numa iniciativa da Fundação Inatel, em que a praça da República da cidade alto-alentejana e o Centro de Artes e Espetáculos são os cenários para um "espetáculo de homenagem e celebração da vida e obra de Régio, no qual participam vários grupos culturais através da poesia, teatro, música, dança e cinema, numa viagem com encenação a cargo de Hugo Sovelas", segundo a organização.

Na mensagem de José Luís Peixoto, um manifesto intitulado A palavra feita de palavras. Poesia em Régio - que será lida as 19.00, no grande auditório do Centro de Artes e Espetáculo, pelo ator Rui Mendes - é afirmado que "precisamos muito de poesia". "A nossa grande sorte é que a poesia está em todos os lugares onde estamos, como uma sombra do que vemos, pensamos, dizemos, somos".

"A poesia está no que fazemos bem e no que fazemos mal", declara. "O poema é respirar, cada vez que inspiramos e expiramos, ar limpo a limpar-nos o sangue. O poema é fechar os olhos, existir num lugar sem luz e sem corpo. O poema é sorrir, reflexo que não decidimos e que chega aos outros, entre nós e os outros, milagre", lê-se na mensagem de Peixoto.

"Como o mundo inteiro, como todos os momentos, como a própria vida, poesia é ordem e loucura. É ordem quando aquilo que nos faz mais falta é disciplina rigorosa, vírgulas que não poderiam pertencer a nenhum outro espaço, quebras de verso que deixam as batidas do coração na expectativa de um segundo, e é loucura quando esquecemos o essencial, quando precisamos de ser lembrados".

"Poesia é uma palavra feita palavras e, como tal, é um paradoxo feito de paradoxos. No poema, como numa torre, todas as palavras são paradoxos em conflito consigo próprios e uns com os outros. Se tirarmos um tijolo, toda a torre perderá força e, tarde ou cedo, cairá. É a tensão que os tijolos mantêm entre si que permite o equilíbrio da torre. A poesia é uma torre sobre a vida e sobre a morte", escreve José Luís Peixoto, autor alto-alentejano, natural da freguesia de Galveias, a cerca de 70 quilómetros de Portalegre.

"No entanto, um monte de tijolos não é uma torre, um monte de palavras não é um poema. Chamem-se os engenheiros civis, por favor", escreve Peixoto que atesta em seguida que "aquilo que é nomeado torna-se concreto, como uma pedra na palma da mão, como uma pena entre o indicador e o polegar".

"Então, podemos encontrar o lugar certo para esses objetos. Não faltam maneiras de os arquivar: peso, tamanho, sabor. Se essa ordem fizer sentido transportará verdade. A verdade é um espelho. De certo modo, um poeta é um engenheiro civil que constrói espelhos. De certo modo, o poema é um espelho. Mas, de certo modo, o poema é qualquer coisa", prossegue o escritor, para quem o desafio é procurar a poesia, "aceitá-la, aprender a sentir-lhe o gosto. Dessa maneira, a vida ganha um brilho que, afinal, sempre esteve lá", remata.

http://www.dn.pt/

 

 

publicado por essmo-becre às 18:05
link do post | comentar | favorito

.Citação do dia

.Catálogo On-Line

Bibliotecas do Agrupamento

.Sugestões

Quando referimos o património cultural, há a tentação de pensar que falamos de antigualhas, de coisas do passado, irremediavelmente perdidas. Puro engano! Referimo-nos à memória viva, seja referida a monumentos, sítios, tradições, seja constituída por acervos de museus, bibliotecas e arquivos. Tratamos de conhecimentos ou de expressões da criatividade humana... Ter memória é, assim, respeitarmo-nos. Cuidar do que recebemos é dar atenção, é não deixar ao abandono. Daí a presente obra procure aliar a ideia de peregrinação, no sentido da demanda de outros lugares e de outras gentes, através da sua história, como se já fizera em "Na Senda de Fernão Mendes", à memória da cultura e da língua portuguesa, como língua de várias culturas e cultura de várias línguas. Neste Ano Europeu do Património Cultural trata-se de um apelo a que a cultura seja compromisso, cuidado, atenção e conhecimento. Fonte:"https://www.fnac.pt/"

.pesquisar

 

.Maio 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Rádio miúdos

https://www.radiomiudos.pt/

.links

.Música

.posts recentes

. Reforma de 2018 das regra...

. Prémio Escolar AEPC 2018

. Dia da Europa 2018

. Acordo ortográfico 1990

. Bibliotecando, no fim de ...

. Concurso Nacional de Leit...

. VOTEM E PARILHEM: Autores...

.subscrever feeds

.Visitantes

.Professor bibliotecário: ode

.tags

. todas as tags