Domingo, 2 de Outubro de 2011

Não há motivo para te importunar a meio da noite. José Luís Peixoto, "Gaveta de Papéis" 2008

 

Não há motivo para te importunar a meio da noite, 
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.

Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.

Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te 
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas 
de manhã cedo.

Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa 
evidência me matar agora.

E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas: 
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas: 
sabes que horas são?

Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras 
a despegarem-se dos pesadelos.


José Luís Peixoto
-Gaveta de Papéis-
2008

 

http://www.youtube.com/watch?v=kzqoC74D8_U&feature=channel_video_title

publicado por essmo-becre às 16:28
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