Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Jorge de Sena

 

  Jorge Sena Jorge de Sena
Portugal
[1919-1978]
Poeta/Crítico/Ensaísta/Ficcionista/Dramaturgo/Tradutor

 

  

Se Jorge de Sena fosse vivo teria feito, no passado dia 2 deste mês, 90 anos.

 

 

Mas quem foi Jorge de Sena?

 

Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919,Jorge de Sena e faleceu em Santa Barbara, na Califórnia, a 4 de Junho de 1978. É hoje considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do nosso século XX.

 

Mas se é tido como um dos nossos grandes poetas, por que razão se fala (e se lê) tão pouco dele?

 

"Na verdade, Jorge de Sena partiu para o exílio há 50 anos por causa da ditadura e nunca mais regressou. Exilou-se primeiro no Brasil e, mais tarde, nos Estados Unidos da América. Foi estando em Portugal de visita. Foi publicando livros e colaborando em revistas.

 

 A obra de Jorge de Sena é bastante vasta e multifacetada. Contam-se mais de vinte colectâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um acto, mais de trinta contos, uma novela e um romance, e cerca de quarenta volumes dedicados à crítica e ao ensaio, à história e à teoria literária e cultural, ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, de Portugal, do Brasil, da Espanha, da Itália, da França, da Alemanha, da Inglaterra ou dos Estados Unidos, sem esquecer as traduções de poesia, de teatro (com destaque para Eugene O’Neill) e ensaio (Chestov).

 

Para conheceres um pouquinho mais da obra de Jorge de Sena vai à nossa BE e procura! Descobre este autor português.

 

 Nós, por agora, deixamos aqui só um cheirinho:

 

Cantar do Amigo Perfeito

 

  

Passado o mar, passado o mundo, em longes praias,
de areia e ténues vagas, como esta
em que haverá de nossos passos a memória
embora soterrada pela areia nova,
e em que sobre as muralhas quanta sombra
na pedra carcomida guarda que passámos,
em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda recordas esta, ó meu amigo?

Aqui passeámos tanta vez, por entre os corpos
da alheia juventude, impudica ou severa,
esplêndida ou sem graça, à venda ou pronta a dar-se,
ido na brisa o sol às mais sombrias curvas;
e o meu e o teu olhar guiando-se leais,
de nós um para o outro conquistando
- em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda recordas, diz, ó meu amigo?

Também aqui relembro as ruas tenebrosas,
de vulto em vulto percorridas, lado a lado,
numa nudez sem espírito, confiança
tranquila e áspera, animal e tácita,
já menos que amizade, mas diversa
da suspeição do amor, tão cauta e delicada
- em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda as recordas, diz, ó meu amigo?

Também aqui, sorrindo em branda mágoa,
desfiámos, sem palavras castamente cruas,
não já sequer os íntimos segredos
que o próprio amor, porque ama, não confessa,
nem a vaidade humana dos sentidos, mas
subtis fraquezas vis, ingénuas e secretas
- em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda recordas, diz, ó amigo?

Partiste e foi contigo a juventude.
Ficou o silêncio adulto, pensativo e pródigo,
e o terror de não ser minha estátua jacente
sobre o túmulo frio onde as cinzas da infância
desmentem - palpitar de traiçoeira fénix! -
que só do amor ou só da terra haja saudade.
Em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
tu sabes que a levaste, ó meu amigo?

Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'

 

 

Três décadas depois da sua morte, o escritor Jorge de Sena foi transladado para Portugal, tendo ficado sepultado no cemitério do Prazeres, em Lisboa, depois de uma  cerimónia de homenagem na Basílica da Estrela. A cerimónia de trasladação dos restos mortais do escritor decorreu durante a manhã, tendo sido acompanhada
, naquela Basílica,  de uma celebração musical executada pela soprano Raquel Alão e pelo organista Nuno Lopes, do Teatro Nacional de São Carlos, e com a declamação de um poema do autor, por Eunice Muñoz.

Jorge de Sena foi evocado através de breves intervenções de um representante da família, do ensaísta Eduardo Lourenço, do ex-Ministro da Cultura e do ex-presidente da República Ramalho Eanes.

Para o ex-Ministro da Cultura tratou-se de " sarar uma ferida aberta pela ditadura". 
 

 

 

Ao terminarmos acrescentamos apenas que"...a poesia (a obra) de Jorge de Sena, em que a ética e a estética se confundem, e em que o lirismo se mescla com um forte pendor especulativo e narrativo, deve ser lida, nas suas palavras, como uma "meditação sobre o destino humano e sobre o próprio facto de criar linguagem".

 

 

 _________________________________________ 

Sites consultados em 4 de Novembro 2009:

 

 

http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Português/noticiasEventos/arquivo/Paginas/homenagemaJorgedeSena.aspx

http://www.citador.pt/poemas.php?op=10&refid=200810080209 

http://www.ciberescritas.com/?p=5249

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=46&visual=9&tm=8&t=Trasladacao-de-Jorge-de-Sena-sara-ferida-aberta-pela-ditadura.rtp&article=278007

http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/jdesena.html

 

publicado por essmo-becre às 23:17
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